Vou começar a postar uns textos aki no blog...Acho que ele esta precisando ser um poukinho mais crítico, mais construtivo, digamos assim...Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa crítica e que adora debater qualquer assunto, atpe a cena em q a Maria Clara Diniz espancou a outra lá na novela (diga-se de passagem, que ceninha patética hein Rede Globo! Vcs já fizeram coisas mais convincentes...) Bem mas vamos o texto, ele fala sobre prostituição. Mais especificamente sobre uma lei que esta em votação aki no RS para regulamentar locais específicos para a prostituição. O texto é de autoria de Marcos Rolim, ex deputado estadual e federal pelo PT, e grande ativista na luta pelos direitos humanos...O texto é extenso mas vale a pena! Comentem! Bjs e até amanha...
SOBRE A PROSTITUIÇÃO
Marcos Rolim
Jornalista
Pelo que pude compreender, a Secretaria Estadual de Segurança quer definir
locais e horários para a prostituição. Não conheço os detalhes da proposta,
mas penso que a idéia seja, em si mesma, problemática. O regramento
pretendido diz respeito aos serviços sexuais oferecidos nas ruas, o que já
seleciona, entre os profissionais do sexo, os mais desprotegidos e carentes.
Não em função da necessidade de se amparar seus direitos, mas em nome "da
moral e dos bons costumes". Prostitutas, michês e travestis que trabalham
nas ruas são, freqüentemente, vitimados pela violência que lhes é oferecida
por rufiões, clientes e maus policiais. A humilhação há muito integra o
cotidiano dessas pessoas e pouco ou nada se faz para reverter esse quadro.
Ainda que houvesse um consenso em torno da proposta, as restrições estariam
criando, automaticamente, uma irregularidade para os trabalhassem em
horários distintos ou em áreas "não permitidas". Com a regra, estaríamos,
então, diante da ilicitude e da decorrente repressão policial. Um vigoroso
passo atrás, portanto, em direção à "criminalização branca" da própriaatividade.
É evidente que o direito de ir e vir e o de contratar serviços de natureza
sexual não pode legitimar posturas abusivas. Determinados padrões de conduta
pública devem ser exigidos também dos profissionais do sexo. Penso que o
caminho para se assegurar esse resultado, de qualquer maneira, deva ser
outro. Sobretudo, sustento que apenas o reconhecimento da cidadania das
prostitutas e michês pode legitimar uma política quanto à prostituição e
estruturar compromissos entre todos os concernidos, incluindo-se os
moradores que tenham queixas legítimas a apresentar. Deveríamos,
primeiramente, reconhecer na prostituição uma profissão tão difícil e digna
como qualquer outra. Dizê-lo significa contrastar um moralismo que não
resiste a qualquer reflexão. Afinal de contas, quais as razões que teríamos
para não respeitar aqueles que vendem prazer sexual? Não respeitamos os que
nos vendem conhecimento e os que nos vendem saúde ou que nos oferecem
cuidados para o corpo e a mente? Não respeitamos os que nos oferecem
diversão, moda ou prazer estético? Não respeitamos, inclusive, os que nos
vendem serviços religiosos? Por que, então, o prazer sexual não poderia
ocupar um espaço no mercado? Na verdade, a tradição moral judaico-cristã
sempre desprezou a prostituição pelo fato dela insinuar o prazer sexual na
ausência de vínculos ou de sentimentos amorosos. O prazer, assim emancipado,
foi tido como pecaminoso e as prostitutas vistas como seres "decaídos" que
deveriam ser objeto, na melhor das hipóteses, de políticas de "salvação".
"Prostituir-se" é, só por isso, uma expressão usada para designar aquele que
abre mão de sua dignidade em troca de favores. Alguém que "vende sua
consciência", por exemplo, estrutura uma reconhecida e lamentável fraude
moral. Designar tal atitude como o equivalente ao ato de se prostituir,
entretanto, expressa apenas preconceito. Ocorre que a prostituição é,
sobretudo, uma relação comercial verdadeira. Pode-se criticá-la por qualquer
motivo, menos pelo de não entregar aquilo que promete ou falsear o que quer
que seja. Profissionais do sexo e seus clientes sabem exatamente o que
procuram e pactuam livremente sem prejuízo a terceiros. Por contraste,
quando um político promete o que sabe não poder cumprir ou quando sustenta
uma posição porque ela é a mais funcional aos seus próprios objetivos de
poder ao invés de se orientar pelo que, presumidamente, seria o interesse
público, estamos diante de uma conduta decaída moralmente que produz danos
ao conjunto da população. Ninguém cogitou ainda, entretanto, de estabelecer
limites geográficos ou horários para esse tipo de atividade. Poderíamos,
talvez, pensar nisso. Algo como: discursos demagógicos só entre três e
quatro da manhã ou: políticos com patrimônio maior que sua renda só poderiam
circular no trajeto entre seus gabinetes e os tribunais, etc. Que tal?